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‘Um pé aqui e outro no Brasil’: diáspora dividida sobre o futuro da Presidência brasileira

O clima político polarizado do Brasil consumiu a atenção da diáspora na Grande Boston. A maioria ainda tem família no Brasil, alguns planejam voltar em breve, e muitos dizem que o resultado da eleição os afetará diretamente, embora vivam no exterior.

Q

uem foi às urnas em Massachusetts nas eleições presidenciais brasileiras de 2022 se lembrará de um mar de eleitores usando camisas amarelas de futebol. Na última década, as camisas amarelas se tornaram um símbolo político no Brasil, usadas para sinalizar apoio a Jair Bolsonaro — o presidente de extrema direita do Brasil que concorria à reeleição naquele momento.

Quem passava de carro pelos locais de votação também teria notado adereços políticos nos veículos: uma coleção de adesivos de apoio a Bolsonaro. Seu rosto aparecia em inúmeras traseiras de caminhonetes, diante de tons de verde e amarelo da bandeira brasileira.

Ainda assim, alguns eleitores compareceram usando vermelho, indicando seu apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, de centro-esquerda. Ele havia cumprido dois mandatos consecutivos como presidente — de 2003 a 2010 — e sairia vitorioso novamente em 2022.

Quatro anos depois, no dia 4 de outubro, milhares de brasileiros que vivem na Nova Inglaterra ajudarão a decidir o destino da sua pátria, no que muitos chamam de uma revanche entre Lula e Bolsonaro — só que, desta vez, é o filho de Bolsonaro que está na cédula. Embora a eleição esteja ocorrendo a mais de 4 mil milhas de distância, em muitos aspectos ela é uma eleição local.

Em Massachusetts, New Hampshire, Vermont e Maine, 68 mil pessoas se registraram para votar — quase o dobro das 37.159 que se registraram na mesma região em 2022. Elas depositaram seus votos na Salemwood School, em Malden, e na Saint Tarcisius Parish, em Framingham.

A eleição é assombrada pelas perguntas que a última deixou sem resposta.

Lula, o atual presidente, concorre contra Flávio Bolsonaro, senador da extrema direita do Partido Liberal. Flávio assumiu o lugar do pai na chapa porque Jair Bolsonaro está impedido de concorrer.

Jair Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e três meses depois que o Supremo Tribunal Federal o condenou por planejar um golpe para permanecer no poder após perder por uma margem estreita a eleição de 2022. Desde março, ele cumpre a pena dentro da sua casa — em prisão domiciliar — devido a uma condição médica.

Flávio construiu sua imagem à semelhança da do pai, herdando sua plataforma e prometendo reabilitar seu legado.

Esses acontecimentos políticos não são debatidos apenas pelos brasileiros que vivem no Brasil. Mais de 200 mil brasileiros vivem na região da Grande Boston, segundo o Consulado-Geral do Brasil em Boston, e os brasileiros são o maior grupo imigrante de Massachusetts.

A eleição é “polarizada, de alto risco e um verdadeiro suspense”, diz Steven R. Levitsky, professor de Governo em Harvard que estudou o Brasil extensivamente e foi coautor do livro best-seller “Como as Democracias Morrem”.

“Ninguém sabe quem vai ganhar, e será uma eleição acirrada. É mais fácil alegar fraude ou não aceitar os resultados de uma eleição quando a disputa é muito apertada”, diz ele.

O clima político polarizado do Brasil consumiu a atenção da diáspora na Grande Boston. A maioria ainda tem família no Brasil, alguns planejam voltar em breve, e muitos dizem que o resultado da eleição os afetará diretamente, embora vivam no exterior.

Gildo Martins de Souza, que se mudou do Brasil para a região da Grande Boston há 20 anos, está votando porque acredita que o futuro de sua família está em jogo. Ele tem filhos vivendo nos Estados Unidos, e muitos dos seus familiares ainda vivem no Brasil. “Eu tenho que votar para a próxima geração dos meus filhos”, diz ele.

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Votando pela direita

Enquanto os eleitores no Brasil estão estreitamente divididos, os brasileiros nos Estados Unidos tendem fortemente à direita. Nos três últimos segundos turnos presidenciais, eles favoreceram o candidato da direita por margens amplas.

Na região de Boston, o candidato da direita recebeu 75,8% dos votos no segundo turno de 2022, 86,6% em 2018 e 81,5% em 2024, segundo o Tribunal Superior Eleitoral do Brasil.

Maxine L. Margolis, professora emérita de antropologia na Universidade da Flórida, afirma que os padrões de votação dos brasileiros nos Estados Unidos são significativos porque eles tendem a ser ainda mais à direita do que brasileiros que vivem em outros países.

Ela atribui essa tendência à mobilidade social e ao orgulho associado à identidade de quem construiu a própria trajetória. “Algumas dessas pessoas vêm de origens trabalhadoras no Brasil e, ainda assim, conseguem ascender nos Estados Unidos, o que novamente tende a torná-las mais conservadoras do que lulistas”, diz Margolis. Como alguns membros da comunidade passaram a administrar seus próprios pequenos negócios — como empresas de limpeza residencial — muitos celebram a meritocracia porque “venceram na vida”.

Na visão dela, essa ética é muito compatível com elementos tanto do trumpismo quanto do bolsonarismo.

Oliver Stuenkel, pesquisador não residente da Kennedy School e pesquisador sênior do Carnegie Endowment for International Peace, afirma que a plataforma de Bolsonaro tem muito em comum com a do presidente Donald Trump. Essas semelhanças, incluindo uma retórica populista e compartilhada contra o establishment, levaram alguns brasileiros-americanos a se alinhar também com Trump.

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Os brasileiros que votaram em Bolsonaro “provavelmente apoiaram Trump” na eleição americana de 2024, embora muitos não pudessem votar nela, diz Stuenkel. Na visão dele, isso criou tensão dentro da comunidade, à medida que brasileiros indocumentados foram detidos e deportados pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos.

Em resposta a um pedido de comentário, um porta-voz do ICE escreveu que os agentes exercem “‘suspeita razoável’ para investigar a situação migratória e causa provável para efetuar prisões, em conformidade com a Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos”.

Taylor Boas, professor de ciência política e estudos latino-americanos na Universidade de Boston, oferece outra hipótese. Como muitas famílias brasileiras-americanas vivem nos Estados Unidos há décadas, “as políticas que são ou não implementadas no Brasil têm menos impacto sobre a comunidade daqui do que sobre os brasileiros que vivem no país”, diz ele.

Stuenkel concorda. Os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, diz ele, estão “menos atentos” aos debates de políticas públicas sobre educação, saúde, salário mínimo e segurança pública no Brasil. Em vez disso, ele diz que eles tornam-se “mais atentos à questões mais amplas, mas também mais vagas, como as guerras culturais, por exemplo”.

Em vez de se concentrar nas plataformas específicas dos partidos, a diáspora tende a votar com base em valores, segundo Boas.

Ele considera a igreja e as redes construídas em torno dela espaços fundamentais na formação desses valores. Em muitos casos, afirma, os pastores não dizem às pessoas em quem votar nem discutem explicitamente a eleição. Em vez disso, a influência é mais sutil.

“As igrejas formam uma comunidade realmente importante: uma comunidade de fé, uma comunidade social, uma comunidade de apoio social e econômico aos imigrantes. E, à medida que participam dessa comunidade, eles desenvolvem entendimentos compartilhados sobre quais são os tipos de opiniões e ações políticas aceitáveis dentro dela”, diz ele.

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Lucimara Rodrigues, que se mudou para Allston-Brighton há 23 anos e hoje é organizadora do Grupo de Mulheres Brasileiras, vê essa dinâmica especialmente nas ondas mais recentes de imigração do Brasil.

“Essa orla de imigrante que se identifica com Bolsonaro e com Trump, sempre teve, mas era uma comunidade bem pequena e era uma comunidade evangélica de protestantes”, diz ela. Agora, esse padrão caracteriza a maioria da diáspora brasileira que vive na região.

Assim como o protestantismo cresceu no Brasil predominantemente católico desde o final do século XX, a imigração para os Estados Unidos nos últimos 15 anos foi dominada por protestantes, muitos deles vindos de cidades do interior.

Quando esses imigrantes chegam aos Estados Unidos, sua cultura política vem com eles.

No interior do Brasil, as afiliações políticas e os vínculos partidários são frequentemente mediados por redes comunitárias, e as pessoas se mantêm informadas sobre política por meio de grupos locais no WhatsApp, do Facebook e de suas famílias.

Essas redes reforçam lealdades políticas fortes, juntamente com o que Rodrigues descreve como a “compra de voto”, na qual bens e serviços são trocados por apoio político — parte de uma prática que cientistas políticos chamam de clientelismo.

“A política da cidade deles é uma política fraudulenta. Eles morrem e matam por um partido político”, diz ela.

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Boas diz que a centralidade dessas redes — por meio de família e dos espaços religiosos — ajuda a aproximar a comunidade do populismo da direita. Ele apresenta isso como parte de uma tendência global, na qual tanto evangélicos quanto imigrantes estão agora apoiando populistas da direita.

Os eleitores também estão expressando um sentimento anti-incumbente forte.

Levitsky diz que esse sentimento foi decisivo em eleições ao redor do mundo. “Nas democracias, os governantes que estão no poder estão perdendo de maneira generalizada”, diz ele.

Lula pode ser vítima disso. “A mesma atitude ou sentimento anti-incumbente que prejudicou Biden e Harris em 2024, o mesmo sentimento anti-incumbente que prejudicou Bolsonaro na última eleição, vai agir contra Lula”, Levitsky diz.

Esse sentimento ajudou a remodelar a América Latina. O predomínio de governos do centro-esquerda e da esquerda em toda a região, iniciado no começo dos anos 2000 — conhecido como a Onda Rosa — foi substituído nos últimos anos por alternativas conservadoras e da extrema direita.

Alice Diniz, doutoranda em História, recorre à eleição brasileira para tentar compreender essa mudança. “O Brasil, como esse grande país da América do Sul, será uma resposta para o contexto que temos agora, com governos da direita e os presidentes desses países latino-americanos”, diz ela.

Souza faz parte dessa corrente anti-incumbente. Ele diz que o Brasil precisa de uma nova liderança depois de três governos de Lula. “A mudança de poder deve servir bem. Se não estiver fazendo o que é bom, o bom que vem muda de novo”, diz ele.

Relações entre Estados Unidos e Brasil

Ainda assim, as opiniões entre os brasileiros em Massachusetts variam.

Lafaiete Brito, diretor da Worcester Brazilian Association, presidente da Brazilian American Massachusetts Alliance e pastor da Igreja Carisma Comunidade, afirma que sua comunidade inclui pessoas de todo o espectro político. “Porque eu tenho amigos que são esquerdistas, outros são de direita, outros são direitistas, outros são de centro”.

Para alguns apoiadores do Lula, as relações entre Estados Unidos e Brasil estão moldando seus votos.

Ao longo da última década, Trump e a família Bolsonaro se aproximaram.

Enquanto Jair Bolsonaro enfrentava um julgamento, Trump saiu em sua defesa. “O Brasil está fazendo uma coisa terrível com o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro”, escreveu ele numa publicação na Truth Social em julho de 2025.

“Isso não é nada mais, nem nada menos, do que um ataque a um adversário político — algo que conheço muito bem! Aconteceu comigo”, continuou Trump. Muitos consideram que a tentativa de golpe de Bolsonaro em 2022 foi uma imitação da invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

Muitos compararam o tumulto de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram prédios públicos, ao ataque do 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos Estados Unidos. Mas a trama golpista de Bolsonaro também foi moldada pela longa história de intervenção militar na política brasileira, mais recentemente por uma ditadura militar de duas décadas que começou em 1964.

Trump usou o poder de seu cargo em favor de Bolsonaro. Em 2025, seu governo impôs tarifas de 50% sobre muitos produtos brasileiros, enquanto Trump classificou o processo contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas” e sancionou o ministro do Supremo Tribunal Federal que supervisionava o caso. Em julho, impôs tarifas de 25% após uma investigação comercial.

Trump recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca em maio. Em julho, o Brasil negou vistos a dois altos funcionários do Departamento de Estado americano que o governo planejava enviar para examinar o sistema eleitoral brasileiro antes da votação.

Heloisa M. Galvão, presidente do Grupo Mulheres Brasileiras, localizado em Brighton, planeja votar porque vê a soberania do Brasil em jogo. Ela vive na região desde que emigrou para os Estados Unidos, em 1988.

“Quando tivemos ditaduras no Brasil, nunca vimos um nível tão grande de falta de soberania para a democracia brasileira”, afirma ela.

“Se Bolsonaro voltar ao poder”, acrescenta, “tenho medo de que o Brasil se torne uma colônia dos Estados Unidos”.

Brito, que não disse em quem planeja votar, também considera a soberania uma questão central. “O Brasil, na minha opinião, é um país soberano. O nosso país é um país soberano, que tem direito às próprias escolhas, à autodeterminação”, ele diz.

Stuenkel é cético quanto à possibilidade das relações entre Estados Unidos e Brasil mudarem muito, independentemente de quem vencer.

“Se Lula for reeleito, talvez haja uma leve melhora, mas a tensão continuará, assim como as discussões sobre tarifas e tudo isso”, afirma. “Se Flávio vencer, acho que haverá um alinhamento maior em algumas questões simbólicas, mas creio que menos do que muitas pessoas esperam, porque, no fim, a ideologia não é tão crucial quanto a economia.”

Os brasileiros nos Estados Unidos são afetados de maneira singular por outra parte dessa relação: as deportações.

”Se fosse o Bolsonaro que tivesse presidente agora com o Trump fazendo essas loucuras de deportação os brasileiros iam sofrer muito mais. Aí que o Trump ia mandar brasileiro pro mundo espalhado do jeito que ele está fazendo. Porque o Trump está mandando brasileiro para África,” Rodrigues diz. “Mas se não fosse o Lula, o Lula construiu muita coisa assistencial pros deportados. Os deportados chegam no Brasil sem nada”.

Rodrigues também critica os brasileiros que apoiaram Trump.

”Eu não entendo uma pessoa que atravessa a fronteira do México brasileiro ser pró-Trump e pró-Bolsonaro”, ela diz.

Quando membros desse grupo procuram o Grupo de Mulheres Brasileiras, Rodrigues diz que ainda trabalha com eles porque é “parte do meu trabalho ajudar esse tipo de pessoa”. Para evitar conflitos, ela se mantém distante da política. Quando eles abordam o assunto, ela permanece em silêncio.

“Eu não converso sobre política, eu tô conversando sobre política com você”, diz ela.

Alguns brasileiros abordados em mercados, padarias e lojas de Somerville recusaram-se a ser entrevistados pelo mesmo motivo.

‘Ficar calados e abaixar a cabeça’

“Em Massachusetts, a comunidade brasileira ficou mais exposta por causa do seu tamanho. E, pelas histórias que circulam entre os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, Massachusetts aparece com frequência porque os brasileiros — em comparação com outras diásporas no estado — são bastante numerosos. Em Miami, por outro lado, as operações do ICE ocasionalmente detinham um brasileiro, mas eram pessoas de outros países que ficavam mais expostas”, diz Stuenkel.

Em resposta a um pedido de comentário, um porta-voz do ICE disse que cor da pele, raça e etnia não são fatores que motivam as prisões realizadas pelo órgão. “As alegações de que as forças de segurança do DHS praticam ‘perfilamento racial’ são repugnantes, irresponsáveis e categoricamente FALSAS”, escreveu o porta-voz. “O que torna alguém alvo da fiscalização migratória é estar ilegalmente nos Estados Unidos.”

À medida que circulam relatos detalhando as condições de detenção e deportação e que membros da comunidade desaparecem, a ansiedade se espalhou ainda mais pela comunidade.

Galvão se lembra de membros da comunidade chegando em pânico ao seu centro depois de saberem das experiências traumáticas de outras pessoas com o ICE.

“As pessoas estão morrendo de medo de serem pegas pela imigração, mesmo que tenham algum processo de ajuste de status em andamento. Elas estão muito assustadas porque ouvem essas histórias”, diz.

Como seu centro se concentra em mulheres, Galvão vê como esse clima as afeta diretamente. “Elas realmente acreditam que o governo vai levar seus filhos.”

A consciência da proximidade do ICE chegou até à maneira como os brasileiros conversam entre si. “Existe uma piada circulando quando alguém não responde às suas mensagens no WhatsApp”, diz Stuenkel. “Seu primeiro pensamento é: ‘talvez ele tenha sido detido’”.

Alguns membros da comunidade estão tão assustados com a possibilidade de um encontro com o ICE que decidiram partir preventivamente.

“Eles não querem ir embora, mas o medo é maior do que o desejo de ficar”, diz Galvão.

Alguns estão optando pela autodeportação por meio do CBP Home, um aplicativo da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos que oferece aos participantes um auxílio de US $3 mil.

É um “aplicativo terrível”, diz Rodrigues. “Nem gosto de falar o nome daquela coisa.”

Um porta-voz do ICE escreveu que o órgão incentiva “todos os estrangeiros ilegais a assumirem o controle de sua partida” por meio do aplicativo. “Encorajamos todas as pessoas que estão ilegalmente no país a aproveitarem essa oferta e garantirem a possibilidade de voltar aos Estados Unidos da maneira legal correta para viver o sonho americano. Caso contrário, vocês serão presos e deportados sem a possibilidade de retornar”, escreveu o porta-voz.

O medo do ICE também está desencorajando algumas pessoas de votar. “Muitas pessoas estão com medo de sair para votar por causa do ICE”, diz Galvão. Ela explica, contudo, que não viu nenhuma evidência de que o ICE tenha historicamente aparecido nesses locais de votação.

“De acordo com o tratado que o Brasil tem com os Estados Unidos, aquele local da votação é um território brasileiro, então o ICE não pode ir”, diz Rodrigues, que também será voluntária nos locais de votação no dia da eleição. Ela espera que o ICE não apareça.

Por meio do Grupo de Mulheres Brasileiras, Galvão e Rodrigues tentam tranquilizar os membros da comunidade e incentivá-los a votar.

“Eu diria às pessoas: vão votar. Não tenham medo. Não podemos permitir que o medo nos domine, nos silencie ou nos paralise. Não podemos viver sob o medo. É isso que o governo quer”, diz Galvão. “Eles querem que fiquemos quietos e baixemos a cabeça”.

Questionado se o ICE afetou seus planos, Souza diz que ainda votará. “E a gente tem que ter cuidado e ter fé também”.

Com a mente dividida entre sua realidade política em Massachusetts e o futuro da Presidência brasileira — e entre comparecer às urnas vestindo amarelo, por Bolsonaro, ou vermelho, por Lula — os eleitores dizem que a eleição parece carregar um peso duplo para todos.

“As eleições do Brasil deste ano elas vão decidir o Brasil e a nossa vida completamente quem mora no exterior”, diz Rodrigues.


—A editora associada da revista, Victoria D. Rengel, pode ser contatada pelo e-mail: [email protected]. Siga-a no X: @VictoriaRengel_.


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